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Ca√ßa-rob√ī faz CPI Covid perder o medo dos ataques bolsonaristas

Por CABN em 09/06/2021 às 06:04:56
Ferramentas identificaram que 78% dos ataques a senadores da CPI eram artificiais. Sem maioria na CPI da Covid, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) contava com sua máquina de moer adversários nas redes sociais para intimidar senadores de oposição. Os alvos preferenciais eram o relator Renan Calheiros (MDB-AL), o presidente Omar Aziz (PSD-AM) e o vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Bolsonaro em evento em Brasília

REUTERS/Ueslei Marcelino

A primeira a√ß√£o ostensiva das chamadas milícias digitais foi promover uma campanha no twitter com a hashtag #renanvagabundo. Mas o tiro saiu pela culatra. Uma ferramenta "ca√ßa robôs", que utiliza Inteligência Artificial para identificar contas inautênticas, detectou que até 78% dos ataques eram artificiais, ou seja, partiam de contas que n√£o tinham um ser humano por tr√°s.

É ingenuidade acreditar que todos os ataques aos senadores contr√°rios ao governo partem de robôs. Mas é fato que a t√°tica bolsonarista de manipula√ß√£o das redes sociais, de fazer uma onda parecer tsunami, est√° ficando manjada. Até senadores com pouca intimidade com o mundo digital come√ßam a perceber que h√° algo estranho no ar:

"Rapaz, eu clico no treco e o desgra√ßado tem um, dois seguidores e t√° l√° me xingando. Às vezes nem seguidor tem e vem perturbar na minha rede", explica, a seu jeito, Omar Aziz.

Renan foi o primeiro a perceber o risco que a estratégia bolsonarista apresentava para o G7 e estimulou sua equipe a compartilhar os dados de "ca√ßas robos" com outros senadores. A respons√°vel pelo trabalho é a jornalista Izabelle Torres, que desenvolve h√° dois anos pesquisa acadêmica sobre o comportamento dos robôs no Brasil e a influência deles na opini√£o pública. O sistema que ajuda a CPI foi desenvolvido com base no trabalho realizado por pesquisadores da Universidade de Indiana. Os padr√Ķes brasileiros de uso de rede foram definidos após a an√°lise de 20 mil contas ativas nos últimos anos.

"Posso garantir que, hoje, nenhum dos senadores do G7 se sente intimidado por ataques virtuais", afirma Randolfe.

Nem sempre foi assim. Antes mesmo da instala√ß√£o da CPI, o senador Kajuru pediu arrego ao presidente Jair Bolsonaro numa liga√ß√£o gravada e divulgada pelo próprio parlamentar. Ao ouvir que Kajuru defendia convoca√ß√£o de governadores, e até ministros do Supremo, o presidente prometeu retribuir :"Dez para você. Tendo a oportunidade, pode deixar que eu falo com as mídias e cito essa minha conversa contigo, ampla CPI do Covid." Falar com as mídias é do que trata este artigo.

O filho do presidente, o senador Fl√°vio Bolsonaro (sem partido), também gosta de usar a t√°tica de falar com mídias para convencer políticos. Durante o processo de vota√ß√£o da privatiza√ß√£o da Cedae, a estatal de √°guas do estado do Rio, o zero-alguma-coisa (esse blog n√£o decora quem é quem na família) foi acusado pelo presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, de ter amea√ßado expor nas mídias sociais alguns deputados estaduais que votassem contra os interesses do governo federal.

Se a tendência observada na CPI se consolidar, e o mundo político perder o temor da família falar com as redes, o bolsonarismo perde for√ßa.

Fonte: G1

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