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10 medidas essenciais contra a Covid: grupo alerta médicos e pacientes em carta na 'Nature'

Por CABN em 10/07/2021 às 05:44:31
Especialistas da iniciativa 'Choosing Wisely' resumiram as ações necessárias contra a pandemia em 5 dicas para médicos e outras 5 para a população em geral. Todas são baseadas em evidências científicas. Vacina e Covid-19: Surgiram novas medidas de proteção? Quais são mesmo essenciais?

Especialistas em medicina baseada em evidências científicas divulgaram nesta semana uma carta na revista "Nature Medicine" com 10 dicas para enfrentamento da Covid-19.

O texto é da campanha "Choosing Wisely" ("Escolha com sabedoria", em livre tradução), uma iniciativa internacional presente em 25 países, incluindo o Brasil.

Cinco das 10 dicas da "Choosing Wisely" são para a população geral; as outras 5 são voltadas a profissionais de saúde – especialmente médicos.

Veja abaixo o resumo e, na sequência, o detalhamento de cada ponto:

Use máscaras bem ajustadas de forma adequada sempre que estiver em público;

Evite lugares cheios, principalmente se forem ambientes internos;

Faça um teste se tiver sintomas da Covid e isole-se em casa se os sintomas forem leves;

Procure ajuda médica se tiver dificuldade para respirar ou se a saturação de oxigênio cair para menos de 92%;

Se vacine assim que puder, mesmo se você já teve Covid-19;

Não prescreva tratamentos não comprovados ou ineficazes para Covid-19;

Não use medicamentos como remdesivir e tocilizumabe, exceto em circunstâncias específicas;

Use esteroides apenas em pacientes com baixa saturação e monitore os níveis de açúcar no sangue;

Não faça exames de rotina que não orientem o tratamento, como tomografias, e de biomarcadores inflamatórios;

Não ignore o manejo de doenças críticas que não sejam Covid durante a pandemia.

"(A campanha) trabalha muito com recomendações baseadas em evidências. Em recomendações que tentam trazer mais valor à medicina e não desperdiçar muito o financeiro, e também esperanças", disse um dos parceiros do projeto, o cardiologista José Nunes de Alencar Neto, que neste ano lançou o livro "Manual de Medicina Baseada em Evidências".

Veja o detalhamento de cada ponto:

1) Use máscaras bem ajustadas de forma adequada sempre que estiver em público

Especialistas vêm reforçando, de forma contínua, a importância do uso da máscara para combater a Covid – de preferência as PFF2, que são capazes de filtrar o vírus e se ajustar melhor ao rosto do que outros tipos de máscaras.

O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95

"As máscaras N95 (ou PFF2 no Brasil) foram associadas a maiores reduções no risco do que as máscaras cirúrgicas ou outras. O mascaramento duplo é preferível ao mascaramento único, a menos que as máscaras sejam N95", dizem os especialistas da "Choosing Wisely".

As N95 são o equivalente americano às PFF2 brasileiras.

2) Evite lugares cheios, principalmente se forem ambientes internos

Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado?

A segunda dica da campanha também já é bem conhecida: evite lugares com muitas pessoas, principalmente se forem ambientes internos. Isso porque a Covid é transmitida pelo ar – quanto mais cheio for o ambiente, menor a possibilidade de você manter a distância de outras pessoas.

"Manter a ventilação adequada abrindo portas e janelas é uma medida importante para diminuir a propagação da infecção", afirmam os cientistas da campanha.

Quanto menos o ar estiver circulando, maior é a chance de você respirar aerossóis carregando o vírus. Esses dois fatores – pouco distanciamento e ar contaminado – aumentam a chance de contágio.

3) Faça um teste se tiver sintomas da Covid e isole-se em casa se os sintomas forem leves

O teste e o isolamento em casa são recomendados se alguém apresentar sintomas de Covid, como febre, dor de garganta, tosse, perda do olfato e/ou paladar, afirmam os cientistas.

"O teste permite uma estratégia de testagem-rastreamento-isolamento, que é eficaz no controle da propagação posterior", dizem.

Mas eles pontuam que, quando não for possível fazer o teste, o diagnóstico pode ser feito pelos sintomas.

"A maioria dos pacientes pode ser tratada em casa e se recuperar bem com o monitoramento regular da temperatura e da saturação de oxigênio", afirmam. O uso de oxímetros para monitorar a saturação de oxigênio em casa é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Oxímetro

G1

As únicas intervenções necessárias são manter a hidratação e usar paracetamol para febre e dores no corpo, dizem.

“Eu acho que a de número 3 é uma das mais importantes, porque há muitas pessoas que estão achando que um teste negativo pode ser um passaporte para essa pessoa voltar a sair do isolamento social. O teste negativo não é um passaporte para isso, porque ele não descarta a doença. Ele pode errar quando vem negativo", disse Alencar.

Confira aqui como cuidar de alguém com Covid-19 em casa e evitar a contaminação.

4) Procure ajuda médica se tiver dificuldade para respirar ou se a saturação de oxigênio cair para menos de 92%

Profissionais de saúde com máscaras do tipo PFF2 cuidam de paciente internada com Covid-19 em UTI de São Leopoldo (RS), no dia 16 de abril.

Silvio Avila/AFP

Os especialistas recomendam que você procure ajuda médica se:

ficar sem fôlego em repouso ou depois de um exercício;

estiver com saturação de oxigênio abaixo de 92%;

tiver uma queda de mais de 4% na saturação de oxigênio após um teste de esforço – como o de sentar e levantar por 1 minuto ou um teste de caminhada de 6 minutos.

Eles também sinalizam que deitar de bruços ajuda a melhorar a saturação de oxigênio.

5) Se vacine assim que puder, mesmo se você já teve Covid-19

Vacina e Covid-19: Devo escolher a vacina ou esperar chegar aquela que eu quero?

A quinta recomendação para a população em geral é: vacine-se assim que puder, mesmo se já tiver tido Covid.

"A vacinação continua sendo uma estratégia extremamente eficaz em nível populacional para a prevenção e mitigação da Covid-19", reforçam os especialistas. "Esta recomendação se aplica mesmo se alguém já teve Covid-19 no passado".

(Se você tem um resultado positivo atual para a doença ou sintomas, espere até receber um teste negativo ou os sintomas passarem).

E lembre-se: não é hora de escolher vacina!

Para profissionais de saúde:

6) Não prescreva tratamentos não comprovados ou ineficazes para Covid-19

Como a campanha "Choosing Wisely" busca promover o cuidado médico com base em evidências científicas, os especialistas recomendam que profissionais de saúde não prescrevam tratamentos sem eficácia comprovada ou ineficazes para a Covid.

Eles reforçam que, no momento, não há dados que apoiem o uso dos seguintes medicamentos contra a Covid-19:

Hidroxicloroquina (usada para tratar alguns tipos de malária e doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide)

Ivermectina (antiparasitário)

Azitromicina (antibiótico)

Favipiravir (antiviral experimental)

Doxiciclina (antibiótico)

Oseltamivir (antiviral Tamiflu, usado para a gripe)

Lopinavir/ritonavir (antirretroviral contra o HIV conhecido como Kaletra)

Itolizumabe (um tipo de anticorpo monoclonal)

Bevacizumabe (usado no tratamento de câncer)

Interferon alfa-2b (IFN-?2b, usado como antiviral para hepatite B e C crônicas, doença de Behçet e alguns tipos de câncer)

Fluvoxamina (antidepressivo vendido sob o nome de Luvox)

Plasma convalescente (parte do sangue retirada de pacientes que já se recuperaram da doença)

Preparos à base de ervas.

"Nenhum deles é atualmente recomendado pela OMS. Esta lista precisará ser revisada à medida que novas evidências surgirem", apontam os especialistas.

7) Não use medicamentos como remdesivir e tocilizumabe, exceto em circunstâncias específicas

O remdesivir é um antiviral experimental aprovado para uso emergencial nos Estados Unidos contra a Covid-19. Seu uso também foi aprovado no Brasil pela Anvisa, apesar de não ser recomendado pela OMS.

VÍDEO: Anvisa detalha utilização e aspectos de segurança do Remdesivir

Os especialistas da "Choosing Wisely" avaliaram que o medicamento teve "eficácia marginal", em alguns estudos, em encurtar o tempo de recuperação em adultos quando dado de forma precoce a pacientes que precisaram de oxigênio. Essa eficácia, entretanto, não foi vista em outras pesquisas.

"Não diminui a mortalidade e não é indicado em outras situações clínicas", dizem.

Já o tocilizumabe é um anti-inflamatório usado para tratar artrite reumatoide. Em um estudo da Universidade de Oxford, ele foi eficaz em reduzir mortes entre pacientes internados com quadros graves de Covid-19, mas o medicamento NÃO deve ser usado em casos leves da doença.

"O tocilizumabe é útil apenas em pacientes gravemente doentes, recebendo esteroides, apresentando sinais de inflamação e necessidades crescentes de oxigênio. O uso em outras situações clínicas não é benéfico e provavelmente é prejudicial", reforçam os especialistas da campanha.

8) Use esteroides apenas em pacientes com baixa saturação e monitore os níveis de açúcar no sangue

A recomendação seguinte é usar corticoides esteroides (como a dexametasona) apenas em pacientes com baixa saturação de oxigênio (hipóxia) – além de monitorar os níveis de açúcar no sangue quando esses medicamentos forem usados.

A dexametasona foi o primeiro remédio que mostrou ser eficaz na redução de mortes por Covid-19. A substância, entretanto, NÃO deve ser usada em casos leves da doença, porque pode piorar o quadro dos pacientes. Como a dexametasona atua inibindo o sistema imune, acaba reduzindo a capacidade do corpo de combater o vírus.

"Os esteroides não trazem benefícios e podem prejudicar os pacientes que não precisam de oxigênio. Não há dados que apoiem o uso de esteroides por um período mais longo (acima de 10 dias) ou uma dose mais alta", reforçam os especialistas da "Choosing Wisely".

Por outro lado, em casos graves, ela é útil: quando ocorre a chamada tempestade de citocinas, em que o sistema imune ataca o próprio corpo, o medicamento atua melhorando a situação.

"Quanto mais doente estiver o paciente, maior será o benefício", reforçam os especialistas da campanha. "Outros equivalentes de esteroides, como metilprednisolona ou prednisolona podem ser usados".

O controle do açúcar no sangue deve ser feito para reduzir o risco de infecções secundárias por fungos – como a mucormicose.

9) Não faça exames de rotina que não orientem o tratamento, como tomografias, e de biomarcadores inflamatórios

Os pesquisadores afirmam que não há dados que "apoiem o uso rotineiro de tomografias computadorizadas de tórax, escores tomográficos ou biomarcadores inflamatórios, como ferritina, interleucina 6 (IL-6), lactato desidrogenase (LDH) e procalcitonina para classificar a gravidade do quadro da doença ou para orientar os protocolos de tratamento".

10) Não ignore o manejo de doenças críticas que não sejam Covid durante a pandemia

Por último, os especialistas chamam a atenção para o prejuízo visto no manejo de outras doenças e condições de saúde críticas durante a pandemia, como câncer, tuberculose, doenças cardíacas, renais, questões relacionadas à saúde mental e a parto, cuidado perinatal e imunização infantil.

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"Por exemplo, estima-se que a suspensão dos serviços de câncer resultará em mais mortes do que as causadas pela Covid durante a pandemia", dizem. "Os serviços de saúde essenciais devem continuar a ser fornecidos durante qualquer pandemia".

Veja VÍDEOS sobre as vacinas:

Fonte: G1

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