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'Deixaram claro que eu seria punida', diz atleta de Belarus que se recusou a voltar ao país

Por CABN em 04/08/2021 às 02:20:36
Em entrevista à AP, Krystsina Tsimanouskaya disse que pretende voltar ao esporte, mas que por enquanto a única coisa importante é a segurança. Ao saber da situação da atleta, marido fugiu para a Ucrânia. Krystsina Tsimanouskaya, atleta de Belarus que teme voltar ao país, em entrevista virtual à AP nesta terça-feira (3)

Daniel Kozin/AP Photo

A atleta bielorrussa Krystsina Tsimanouskaya afirmou na terça-feira (3) que os chefes da delegação de Belarus "deixaram claro" que a velocista seria punida caso voltasse ao país. Ela está em Tóquio, no Japão, e em segurança, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Atleta da Belarus faz críticas aos técnicos em rede social e é retirada das Olimpíadas

Tsimanouskaya foi forçada no começo da semana a abandonar as Olimpíadas de Tóquio por criticar técnicos e dirigentes. Belarus é um país governado por Alexander Lukashenko, líder autoritário que está no poder desde 1994. O Comitê Olímpico Bielorrusso é dirigido por Viktor Lukashenko, filho do presidente (entenda o caso no fim da reportagem).

Krystsina Tsimanouskaya logo após uma corrida de 100 metros, em 30 de julho de 2021

Aleksandra Szmigiel//Reuters

Em entrevista à agência Associated Press, Tsimanouskaya disse que os diretores da delegação afirmaram que a decisão de forçar o retorno da atleta partiu de outras pessoas — o que, para ela, ficou claro que se tratava de uma represália do governo.

"Eu gostaria muito de continuar minha carreira no esporte porque eu só tenho 24 anos e ainda planejo mais duas Olimpíadas, no mínimo. Mas agora só o que me preocupa é minha segurança", disse a atleta.

Marido fugiu para a Ucrânia

Arseni Zdanevich, marido da atleta, fugiu para a Ucrânia ao saber do problema com Tsimanouskaya. Em entrevista à AP, ele disse que espera reencontrar a esposa logo, de preferência na Polônia, país vizinho que abriga uma grande comunidade de desertores do regime de Belarus.

"Foi tudo de repente. Só tive uma hora para pegar minhas coisas e ir", disse Zdanevich.

Tsimanouskaya embarcou para Viena, na Áustria, na manhã desta quarta-feira (noite de terça-feira em Brasília). Não se sabe ainda qual será o destino final da atleta. A Polônia ofereceu um visto humanitário à bielorrussa.

Entenda: atleta teme voltar a Belarus

Krystsina Tsimanouskaya é escoltada por policiais no aeroporto de Tóquio, em 1º de agosto de 2021

Issei Kato/Reuters

No domingo, Tsimanouskaya denunciou que foi forçada a deixar os Jogos Olímpicos por seu técnico, Yuri Moiseyevitch, e que, mais tarde, funcionários do Comitê Olímpico de Belarus a acompanharam ao aeroporto para que ela voltasse ao seu país.

Poucos dias antes, a atleta havia criticado a Federação de Atletismo de seu país por obrigá-la a participar do revezamento 4x400 metros, quando inicialmente tinha que correr as provas de 100 e 200 metros. Segundo Tsimanouskaya, duas corredoras bielorrussos não passaram pelos testes antidoping e não puderam competir.

Tsimanouskaya disse que estava com medo de ser presa se voltasse para a Belarus e pediu a intervenção do COI — que garantiu que a atleta está em local seguro.

Fonte: G1

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