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Brasil, √ćndia e √Āfrica do Sul foram focos de surgimento de novas variantes do coronav√≠rus at√© junho, aponta estudo

Por CABN em 14/09/2021 às 15:29:45
Pesquisadores brasileiros constataram que, na Europa, uma nova linhagem do coronavírus era achada a cada 300 sequenciamento genéticos do Sars-CoV-2. J√° na √Āfrica e na América do Sul, essa taxa era de uma nova linhagem a cada cerca de 14 a 25 genomas. Uma garota passa de bicicleta por um mural de conscientiza√ß√£o sobre o coronavírus em Chennai, na Índia, na segunda-feira (13).

Arun Sankar / AFP

Uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros, publicada na semana passada na revista "Viruses", aponta que, do início da pandemia até junho deste ano, o Brasil, a Índia e a √Āfrica do Sul foram focos de surgimento de novas variantes do coronavírus.

Os pesquisadores chegaram à conclus√£o com um modelo matem√°tico, que aplicaram sobre 1 milh√£o de sequenciamentos genéticos do coronavírus feitos em todo o mundo. É por meio do sequenciamento genético que cientistas encontram muta√ß√Ķes e novas variantes do Sars-CoV-2.

A partir do modelo, os pesquisadores brasileiros constataram que, na Europa, uma nova linhagem do coronavírus era achada a cada 300 sequenciamentos. J√° na √Āfrica e na América do Sul, essa taxa era de uma nova linhagem a cada cerca de 14 a 25 genomas.

Isso significa que, por aqui e na √Āfrica, as muta√ß√Ķes foram muito mais comuns.

"É como se eu fosse na Alemanha procurar o sobrenome Silva – vou fazer amostragem de milhares de indivíduos e encontrar dois. No Brasil, se eu fizer amostragem com 40 pessoas, vou encontrar 6, 8. As novas linhagens, as muta√ß√Ķes em geral, s√£o muito mais abundantes aqui", explica o virologista Fernando Spilki, autor sênior da pesquisa e professor na Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

O modelo precisou ser aplicado para tornar compar√°vel a quantidade de sequenciamentos genômicos muito diferentes que os países ao redor do mundo fazem. O Reino Unido, por exemplo, é um dos países que mais sequenciam genomas. O Brasil sequencia pouco. No continente africano, de forma geral, o sequenciamento é mínimo.

As maiores taxas de linhagens novas foram achadas justamente no Brasil, na √Āfrica do Sul e na Índia –países que, no período analisado pelos pesquisadores, deram origem às variantes gama, beta e delta, respectivamente. Hoje, todas s√£o consideradas variantes de preocupa√ß√£o pela Organiza√ß√£o Mundial de Saúde (OMS).

"S√£o situa√ß√Ķes preocupantes. A coisa mais importante é as pessoas entenderem que h√° uma rela√ß√£o entre dar espa√ßo para o vírus evoluir, sofrer muta√ß√Ķes [e] ser selecionado para linhagens que têm capacidade maior de dissemina√ß√£o, por exemplo. No momento em que você tem esse espa√ßo, você d√° chance para o azar de gerar número mais alto de linhagens", esclarece Spilki.

O surgimento de novas variantes ou linhagens do vírus pode fazer com que, por exemplo, ele se torne resistente às vacinas existentes hoje – ou cause uma doen√ßa mais grave. Até agora, as vacinas têm sido, de forma geral, eficazes contra as variantes que vêm surgindo – desde que a pessoa receba as duas doses (se for o caso).

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Vigil√Ęncia genômica e pouco controle

Além de Brasil, √Āfrica do Sul e Índia, países como Canad√° e Jap√£o também tiveram altas taxas de surgimento de variantes –mas é possível que, nesses casos, a sele√ß√£o de amostras tenha sofrido um viés, porque existe uma tendência de sequenciar amostras de viajantes.

Ou seja: v√°rias linhagens novas eram encontradas, mas elas n√£o surgiam dentro desses países por causa de um descontrole da pandemia – e sim vinham de pessoas de fora.

"Os países têm uma vigil√Ęncia genômica muito forte em viajantes que chegam do exterior – e por vezes você pode acabar gerando o artefato de uma diversidade maior, mas n√£o é gerada no teu próprio país. É uma diversidade importada", avalia Spilki.

É possível que esse tenha sido, também, o caso do Chile: o país aparece como tendo uma alta taxa de surgimento de variantes – até à frente do Brasil.

"Existe essa possibilidade. A gente n√£o tem o mesmo nível de informa√ß√£o [sobre o caso chileno]. O Chile teve uma série de quest√Ķes de sistemas de vigil√Ęncia e de defesa, que devem ter incluído também isso. Porque nos países em que a gente efetivamente encontra grande diversidade – Brasil, √Āfrica do Sul e Índia – aí sabemos que uma boa parte dela é muito gerada dentro do próprio país", afirma o virologista.

Ele lembra que, no caso do Brasil, n√£o houve bloqueios para entrada de viajantes, por exemplo. Isso facilita o surgimento de variantes.

"Tivemos poucos bloqueios para chegada de novas variantes – também influi na nossa conta. Sempre teve pessoas circulando", diz Spilki.

"Nesses lugares, a gente deu espa√ßo para que acontecesse. O mecanismo para frear isso sem dúvida era o distanciamento social, era o que nós tínhamos. Agora é a vacina√ß√£o, e também o distanciamento", pontua o pesquisador.

Veja VÍDEOS sobre as vacinas da Covid-19:

Fonte: G1

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