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Combinação de tipos diferentes de vacinas contra a Covid pode ser vantajosa e gerar mais resposta

Por CABN em 14/09/2021 às 20:00:25
Estudos apontam que combinar a vacina AstraZeneca com os imunizantes que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro aumenta a resposta imune na comparação com o regime tradicional. Frascos com doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca e da CoronaVac

Adriano Ishibashi/Framephoto/Estad√£o Conteúdo

A falta de vacina AstraZeneca levou os estados do Rio de Janeiro e São Paulo a utilizar o imunizante da PFizer na aplicação da segunda dose na vacinação contra a Covid-19.

Combinar vacinas de diferentes fabricantes é seguro e eficaz? Os estudos j√° divulgados sobre o tema apontam que, em determinados casos, a mistura pode sim ser vantajosa e gerar uma maior resposta imune.

A estratégia de Rio de Janeiro e S√£o Paulo é baseada justamente nos dois tipos de vacinas com mais resultados j√° conhecidos das pesquisas sobre a chamada "vacina√ß√£o heteróloga" ou "intercambialidade de vacinas".

Veja abaixo o que se sabe sobre o tema:

Vacina com mais estudos sobre a combina√ß√£o é a AstraZeneca, que usa a tecnologia de "vetor viral", ou seja, é baseada em um vírus modificado para introduzir parte do material genético do coronavírus no organismo e induzir a prote√ß√£o;

Pesquisadores da Universidade de Oxford investigam desde fevereiro de 2020 as combina√ß√Ķes;

Primeira pesquisa, batizada de "Com-COV1", a combinação AstraZeneca e Pfizer em 850 voluntários com mais de 50 anos;

Combina√ß√£o da 1¬™ dose de AstraZeneca com a 2¬™ da Pfizer gerou mais anticorpos e células T do que o regime completo com AstraZeneca;

Na Espanha, estudo CombiVacs, do Instituto de Saúde Carlos III, reuniu 676 pessoas entre 18 e 59 anos. Os resultados divulgados em maio apontam que a mistura AstraZeneca e PFizer resultou em mais que o dobro dos anticorpos gerados por duas doses de AstraZeneca;

Na Coreia do Sul, estudo com 499 profissionais de saúde, concluiu no final de julho que a combina√ß√£o de AstraZeneca com Pfizer gerou níveis seis vezes maiores de anticorpos neutralizantes;

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, de 66 anos, recebeu a 1¬™ dose de AstraZeneca e depois foi vacinada com a Moderna na segunda dose: objetivo era incentivar nova estratégia de vacina√ß√£o após o país recomendar a AstraZeneca apenas para maiores de 60 anos. A Moderna também usa a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), capaz de codificar a proteína S da coroa do vírus, e o introduz no corpo com a ajuda de uma nanopartícula de gordura para induzir a prote√ß√£o natural do corpo.

Pesquisa na Dinamarca apontou que o regime AstraZeneca/PFizer reduziu em 88% o risco de infec√ß√£o, número compar√°vel aos 90% para o regime exclusivo da PFizer.

No Brasil, desde o fim de junho as gr√°vidas que tomaram AstraZeneca foram autorizadas a receber a Pfizer na segunda dose.

Ministério da Saúde anunciou, em julho, um estudo para avaliar a necessidade de uma terceira dose para os vacinados com CoronaVac: o objetivo é avaliar efic√°cia da dose de refor√ßo com um imunizante diferente. Resultados ainda n√£o foram divulgados.

Mistura com a Sputnik V

Por causa de problemas no fornecimento da Sputnik V, países da América Latina precisaram adotar t√°tica semelhante. O imunizante russo também utiliza o vetor viral.

Na Argentina, a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, anunciou no come√ßo de agosto que os resultados preliminares indicavam resultados "satisfatórios" e "encorajadores" na combina√ß√£o da Sputnik V com a AstraZeneca. Também houve testes com o imunizante da Sinopharm, mas até ent√£o os resultados n√£o foram "conclusivos".

(Abaixo, veja reportagem do Fant√°stico sobre países no mundo que j√° aplicavam doses de dois fabricantes)

Novas pesquisas estudam combinação de vacinas

Fonte: G1

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