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Em busca de novas abordagens para o tratamento de demências

Por Cabn em 23/11/2021 às 08:00:29
Além da maconha medicinal, robôs pets melhoraram sintomas como ansiedade, agressividade e depressão dos pacientes Robô pet é testado como opção em novas abordagens para o tratamento de demências

No domingo, a coluna abordou o potencial da medicina canabinoide no tratamento de diversas doenças. Hoje quero me dedicar às demências, porque o envelhecimento da população mundial vai fazer disparar o número de casos, principalmente em países de renda baixa e média – lugares onde adotar um estilo de vida saudável é mais desafiador. Receber um diagnóstico desse tipo de enfermidade talvez seja um dos maiores temores que qualquer um possa enfrentar, por isso é tão importante discutir diferentes formas de lidar com a questão.

O pet robô responde aos carinhos: os gatinhos ronronam, miam, viram a cabeça e piscam para os idosos com demência

Florida Atlantic University

Digo isso porque me causou grande impacto reportagem investigativa do jornal “The New York Times”, publicada recentemente, sobre o alto percentual de idosos vivendo em asilos que eram medicados com drogas antipsicóticas: 21% deles usavam tais remédios. O mais perturbador era o fato de muitos estarem sendo diagnosticados, sem qualquer evidência, como portadores de esquizofrenia. O medicamento serviria para manter a pessoa sob controle – na verdade, numa espécie de camisa de força. É o que se chama de contenção química, uma violência que ganha contornos ainda mais dramáticos se levarmos em conta que antipsicóticos são perigosos para indivíduos com demência, dobrando o risco de problemas cardíacos, infecções e quedas.

É verdade que pacientes com demência podem apresentar comportamento agressivo, desestruturando famílias e cuidadores, mas a utilização da maconha medicinal é um caminho para evitar outras drogas com tantos efeitos adversos. O assunto engatinha entre geriatras, neurologistas e clínicos, embora todos concordem que os mais velhos consomem um volume excessivo de remédios. A situação aumenta o risco de iatrogenia, que se caracteriza justamente quando a interação das substâncias que compõem diferentes medicamentos leva a um quadro de complicações.

Médicos e familiares deveriam se aliar em busca da desprescrição de remédios e de opções da chamada medicina complementar, que inclui acupuntura e fitoterapia. No final de outubro, foi divulgada pesquisa sobre os bons resultados obtidos com pets robôs, melhorando o humor, comportamento e cognição de idosos com demência com sintomas como ansiedade, agressividade e depressão. Pesquisadores da Florida Atlantic University testaram a eficácia de robôs interativos de custo relativamente baixo com adultos que sofriam de demência de moderada a intermediária. Os participantes foram avisados de que os pets não eram animais de verdade, mas foram observadas reações como sorrisos e conversas carinhosas com os gatinhos – que foram devidamente nomeados por seus “donos”. “Como não há cura para a demência, nosso projeto oferece uma abordagem não farmacológica para lidar com os sintomas”, afirmou Bryanna Streit LaRosa, doutora em enfermagem e autora sênior do estudo. Pense em como você gostaria que seus entes queridos fossem tratados. Pense em como gostaria de ser tratado.

Fonte: G1

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